Quero ser mãe e tenho medo da cesariana

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Considerada até pouco tempo perigosa, esta cirurgia é feita atualmente quase sem nenhum risco para a mulher e a criança. Mesmo assim, é melhor deixar que o médico escolha o melhor meio para um parto bem sucedido.

Praticada desde a Antiguidade, a cesariana — extração do feto da cavidade uterina por via abdominal — tinha a finalidade principal de salvar a criança após a morte da mãe. Além disso, essa técnica era empregada também quando o parto normal era impossível ou apresentava perigos para a mulher. Mas, quase sempre, os resultados eram desastrosos. Um estudo que reuniu todas as operações desse tipo, realizadas em Paris nos séculos XVI, XVII e XVIII, mostrou que das 67 parturientes submetidas à cesariana, apenas seis escaparam com vida.

Na verdade, o alto índice de óbitos era decorrente, em primeiro lugar, dos tipos de incisões utilizadas — um corte vertical no abdome e outro na parte superior do útero (o processo é denominado cesariana alta). Aliado a isso, o desconhecimento da sutura (costura), que é necessária para a cicatrização correta, acabava resultando em infalíveis hemorragias e graves infecções após a operação.

O PROGRESSO DA CESARIANA

Só a partir do século XIX é que realmente a cesariana começou a ensaiar os passos definitivos para o sucesso total, através das experiências dos médicos daquela época. A maior vitória foi a obtenção de um sistema seguro para suturar o corte do útero. A partir de então, a porcentagem de mortalidade materna caiu vertiginosamente.

No início do século XX, o aparecimento da assepsia cirúrgica e a crescente utilização da anestesia fizeram declinar ainda mais as complicações desse tipo de parto. Nessa época, foi introduzida a cesariana segmentaria, que veio revolucionar tudo o que já se havia feito em relação à técnica de incisão. Desde então, a cesariana passou a ser feita através de um corte transversal ou vertical abaixo do umbigo e incisões internas no mesmo sentido das fibras musculares (o processo é também denominado cesariana baixa). Como resultado, as hemorragias passaram a ser quase inexistentes, a cicatrização mais segura e a parede uterina voltava a ter chance de uma reconstituição perfeita.

Com o emprego de antibióticos, a partir de 1940, os perigos da cirurgia foram, enfim, reduzidos a uma porcentagem inexpressiva. E se, atualmente, a cesariana é empregada em larga escala é porque a técnica adquiriu extrema simplicidade (em geral são necessários apenas 45 minutos de operação), permite o rápido restabelecimento da paciente (em geral a mulher fica internada apenas quatro dias), oferece um mínimo de riscos para a criança e permite à mãe amamentar normalmente o bebê.

Em relação à marca operatória, a mulher pode ficar longe de qualquer preocupação. A cesariana deixa apenas uma pequena cicatriz (de 7 a 10 centímetros) abaixo do umbigo, próximo ao púbis. Com isso, a gestante que se submeteu à cesariana não precisa de modo algum recear o uso de biquinis, pois, por menor que seja a peça, a cicatriz não aparece.

Um detalhe muito importante: em geral, a mulher pode se submeter a várias cesarianas sem o mínimo problema. No entanto, alguns médicos recomendam que seja observado um período mínimo de dois anos para uma nova gravidez. Além disso, outros especialistas no assunto já sugerem, após a terceira cesariana, a ligação das trompas para evitar uma quarta gestação e, em consequência, a necessidade de uma nova cesariana. A explicação para esse tipo de cuidado é muito fácil de ser entendida. Embora os tecidos do útero possam se regenerar perfeitamente após a cirurgia, o desgaste produzido com cirurgias frequentes provavelmente acarretaria problemas futuros no organismo materno.

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QUANDO FAZER UMA CESARIANA

A exemplo de outros tipos de cirurgia, a cesariana oferece, na verdade, alguns riscos que não passam, na maioria das vezes, de pequenos sobressaltos. Entre eles, hemorragia interna por desunião da sutura, lesão na bexiga (por se encontrar junto ao segmento uterino), intoxicação anestésica, obstrução intestinal, vômitos, infecção e ruptura da cicatriz.

Com isso, por garantia, os médicos a recomendam apenas nos casos realmente necessários. Entre eles, destacam-se:

  1. Quando o médico percebe algum problema para o bom andamento do parto natural. É preferível, por exemplo, fazer uma cesariana a ter de recorrer ao uso de fórceps que, algumas vezes, deixa marcas profundas tanto na criança quanto na mãe.
  2. Anormalidade na dilatação do colo.
  3. Obstrução do canal do parto pela placenta.
  4. Desproporção entre o tamanho da bacia da parturiente e da cabeça do bebê.
  5. Tumores uterinos.
  6. Apresentações anormais do feto — de ombros, nádegas, de fronte, entre outras posições.
  7. Moléstias no feto que forçam a sua retirada antes do tempo normal. Por exemplo: incompatibilidade entre os sangues materno e fetal, em relação ao fator Rh, que pode ocasionar no bebé uma moléstia chamada anemia hemofílica.
  8. Casos de parturiente de primeira gestação em idade avançada.
  9. Gravidez excessivamente prolongada, ultrapassando os nove meses.
  10. Enfermidades que podem colocar em perigo tanto o feto como a mãe (por exemplo, diabete, doenças cardíacas, nefrite crônica).

Desde que esteja incluída num desses casos, a mulher pode ir se preparando física e psicologicamente, porque, com toda certeza, precisará de uma cesariana para dar à luz o seu filho. Levada à sala de cirurgia, a paciente é anestesiada, procedendo-se à limpeza e esterilização da superfície abdominal. A primeira incisão é feita expondo-se à vista a parede do útero. A seguir, faz-se uma abertura, pela qual o médico retira a criança. Corta-se o cordão umbilical, recebendo o bebê os cuidados normais a um recém-nascido. O médico extrai a placenta e membranas. A fase final corresponde à limpeza do útero e ligação das estruturas abertas.

Quero ser mãe e tenho medo da cesariana
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